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A História da Macumba no Brasil: Das Origens aos Dias de Hoje

  • 25 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura

A história da macumba no Brasil é cheia de acontecimentos interessantes,

começando lá na época da colonização até os tempos atuais. Vamos dar uma

olhada em como tudo começou e como essas práticas evoluíram ao longo dos

anos, com um destaque especial para a fundamentação da umbanda por Zélio

Fernandino de Moraes.



Como Tudo Começou

Tudo começou no século XVI, quando os africanos foram trazidos como escravos

para o Brasil. Eles trouxeram suas tradições religiosas, como o candomblé, que é

uma mistura de crenças de várias etnias africanas, principalmente dos yorubás,

bantos e jejes. Para poderem praticar suas crenças sem chamar muita atenção,

eles sincretizaram suas divindades com santos católicos. Ou seja, eles

disfarçavam seus orixás como santos da igreja, para manter suas tradições vivas.

Depois da abolição da escravidão em 1888, muitos ex-escravos se mudaram para

as cidades, levando suas práticas religiosas com eles. Surgiram então os

primeiros terreiros urbanos. No Rio de Janeiro, começou a se formar o que ficou

conhecido como "macumba", uma mistura de candomblé, práticas indígenas e

elementos do catolicismo popular.


O Surgimento da Umbanda no Século XX

Nos anos 1920, um momento crucial aconteceu com Zélio Fernandino de Moraes, um jovem de 17 anos que estava doente e começou a manifestar comportamentos incomuns. Em 15 de novembro de 1908, durante uma sessão espírita, Zélio incorporou o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas. Este espírito anunciou a fundação de uma nova religião que combinaria elementos do espiritismo kardecista, candomblé, catolicismo e tradições indígenas. Assim nasceu a umbanda. A umbanda se destacou por ser mais acessível e menos rígida que o candomblé, ganhando mais adeptos nas áreas urbanas. Zélio fundou o primeiro terreiro de umbanda, chamado "Nossa Senhora da Piedade", que se tornou um marco na disseminação dessa nova prática religiosa.


"A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade, a humildade é a forma mais sublime da prática do Evangelho do Cristo e, portanto, devemos praticar o amor ao próximo." - Zélio Fernandino de Moraes

Zélio de Moraes, já com idade avançada, mas presente no Terreiro. Observe-se, em seu peito, a Guia do Chefe - o Caboclo das Sete Encruzilhadas.


Evolução e Expansão

Durante o século XX, as práticas afro-brasileiras, incluindo a umbanda, começaram a ser reconhecidas como partes importantes da cultura brasileira, apesar do preconceito e perseguição. A polícia reprimia os terreiros e a mídia frequentemente retratava essas práticas de forma negativa. Mas, a partir dos anos 1970, com a redemocratização e os movimentos de direitos civis, as religiões afro-brasileiras começaram a ganhar mais respeito. A Constituição de 1988 garantiu a liberdade religiosa, o que ajudou na preservação dessas práticas.


A Macumba Hoje

Hoje, as práticas de macumba – que incluem candomblé, umbanda e outras variantes – são partes essenciais da cultura brasileira. Elas são celebradas em festivais e amplamente praticadas em todo o país. Terreiros são comuns tanto em áreas urbanas quanto rurais. Mesmo com esse reconhecimento, as religiões afro-brasileiras ainda enfrentam desafios, como a intolerância religiosa e ataques a terreiros por grupos fundamentalistas. Esses desafios mostram que, apesar do progresso, ainda há um longo caminho a percorrer para a aceitação plena. As práticas de macumba têm uma grande influência na música, dança, arte e literatura brasileiras, refletindo a rica herança africana do Brasil. A história da macumba é um exemplo de resistência cultural e adaptação, mostrando como as tradições africanas se enraizaram e floresceram, contribuindo para a diversidade religiosa e cultural do país.


Texto: por Caíque Nantes

Revisão e formatação: João Vilela

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