História da umbanda tradicional
- 18 de abr. de 2023
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A Umbanda é uma religião de matriz afro-brasileira surgida no início do século 20, que resulta da união de crenças. Com uma junção do candomblé dos povos africanos, da doutrina espírita vinda da Europa, do cristianismo que veio com os colonizadores portugueses para o Brasil e das influências ameríndias como as derivadas do Catimbó e da Jurema, nasce essa nova visão da espiritualidade. O significado do nome varia de acordo com a fonte, mas de forma convencional, se estabeleceu o quimbundo de Angola como referência, tendo como tradução literal algo como “magia” ou a “arte de curar”. Ela apresenta algumas variações em cada centro, tenda ou terreiro, pois suas regras não são imutáveis e ela não possui um livro único que a rege. Portanto, ao visitar ou conhecer alguma casa, devemos considerar o que faz sentido para nós, sabendo que as ritualísticas mudam de acordo com o tempo, região, local e origens.
Por isso, algumas vertentes são mais tradicionais, outras são mais cristãs, outras mais próximas do candomblé, como a que tocamos na Tenda de Umbanda Arco-íris, conhecida como Umbanda Omolokô. Independente da vertente, todas são guiadas pela fé nos orixás, na imortalidade da alma, a fé nos espíritos e a caridade. A Umbanda surgiu oficialmente em 15 de novembro de 1908, anunciada pelo médium Zélio Fernandino de Moraes.
No início do século 20, Zélio ainda jovem já apresentava habilidades mediúnicas e frequentava o centro espírita de sua cidade. Em um determinado dia seu guia pessoal, o Caboclo das Sete Encruzilhadas baixou nele durante uma sessão, porém para doutrina espírita kardecista esse tipo de espírito não poderia estar ali, então, pediram que a entidade fosse embora. Após esse episódio Zélio, recebeu instruções e inaugurou a religião conhecida como Umbanda.
A primeira tenda umbandista se chamava Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A partir disso, os espíritos que em vida foram sempre colocados às margens, como os de índios, velhos que foram escravos, marinheiros e boiadeiros, puderam ter seu espaço e sua importância, e com seu conhecimento terreno e espiritual têm permissão para ajudar e aconselhar os vivos.
Demonstrando que a inclusão e o não preconceito estão presentes já na formação dessa religião, que tem por princípio fazer o bem sem julgamentos e praticar a caridade.
Princípios da Umbanda
A Umbanda tem como seus princípios a luz, a caridade e o amor. E sua forma de trabalho para esse fim é realizada através de ritos chamados giras. Nas giras temos vários fundamentos, músicas cantadas e tocadas com atabaques chamadas de pontos, o uso de velas, ervas, oferendas, passes para purificação energética, batismo, defumação, pontos riscados e descarrego, que são limpezas energéticas com objetivo de liberar a pessoa da influência de um espírito mal-intencionado, popularmente conhecido como encosto o ”Kiumba”, de energias negativas ou até comportamentos prejudiciais.
O sincretismo religioso
No contexto da Umbanda, como já foi citado, o sincretismo acontece fortemente e é muito conhecido. Com ênfase no contexto histórico, como forma de remediar o apagamento que pessoas escravizadas sofrem, para conseguirem manter sua fé e continuar a adorar seus deuses, os escravizados passaram a disfarçar suas entidades em santos católicos que possuíam características similares. Por isso, algumas imagens ou dias comemorativos dos Orixás, são representados com Santos católicos, sendo utilizados como representações das mesmas energias.
Zélio de Moraes, já com idade avançada, mas presente no Terreiro. Observe-se, em seu peito, a Guia do Caboclo das Sete Encruzilhadas.






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