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Entrei para casa

  • 2 de mai. de 2023
  • 10 min de leitura

Atualizado: 20 de jun. de 2025

Na Umbanda, ser aceito como filho ou filha de santo não é apenas um ritual: é um compromisso espiritual, ético e comunitário. A partir desse momento, você assume a responsabilidade de zelar por sua casa, honrar o nome da religião, praticar a caridade, estudar e buscar ser o melhor que puder — dentro e fora do terreiro.

Esse caminho exige entrega e humildade. Não se trata de perfeição, mas de disposição em aprender, servir e crescer. Como nos lembra Mestre Rubens Saraceni:

“Nenhuma religião é melhor do que o seu pior praticante.”Essa frase é um alerta e um convite. Muitas vezes, falhas humanas de praticantes são usadas como justificativa para preconceitos contra a Umbanda. Por isso, seu compromisso com o axé e com sua própria conduta se torna também um escudo de proteção e honra para a religião.

Por Onde Começar?

Antes de tudo, é essencial que você conheça as hierarquias da casa onde foi acolhido(a). Entender quem são os responsáveis, suas funções e a quem recorrer em cada situação facilita sua integração e evita confusões ou mal-entendidos.


Hierarquias e Funções na Tenda


Dirigente Espiritual: A Força que Conduz o Terreiro


Toda casa espiritual precisa de uma base firme, uma liderança sábia e comprometida com os fundamentos da fé. Na Umbanda, essa liderança é representada pela Dirigente Espiritual, também conhecida como Mãe ou Pai de Santo.

É ela ou ele quem conduz os trabalhos espirituais, orienta os filhos de santo, dita as regras da casa e zela por toda a estrutura física e espiritual do terreiro. A dirigente é a autoridade maior dentro do axé, a responsável por manter viva a tradição, garantir a disciplina e abrir os caminhos para que os guias possam atuar.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, essa missão é realizada com dedicação, coragem e amor por Mãe Luara, nossa Sacerdotisa Juremada, que está à frente da casa há 20 anos.

Ao longo desse tempo, Mãe Luara vem formando filhos e filhas, firmando pontos de luz, acolhendo quem chega, orientando nos momentos difíceis e celebrando as vitórias de cada um. Com sabedoria e firmeza, ela sustenta a energia da casa, respeitando os ensinamentos dos guias e mantendo viva a essência da Umbanda que cultuamos.

Ser dirigente é muito mais do que comandar: é servir, ensinar, proteger, cuidar e, acima de tudo, amar o sagrado. E Mãe Luara é esse pilar, essa raiz forte que alimenta nossa Tenda com axé, ancestralidade e firmeza.



Mães e Pais Pequenos: Sucessores e Guardiões do Axé


Na estrutura espiritual de um terreiro de Umbanda, os Pais e Mães Pequenas ocupam um lugar de grande responsabilidade. São considerados o braço direito da Dirigente Espiritual, prontos para assumir funções importantes e garantir a continuidade da casa.

Esses filhos escolhidos têm como missão aprender profundamente as doutrinas do terreiro, auxiliar nos trabalhos espirituais, orientar os demais médiuns e manter a organização da casa em sintonia com os fundamentos do axé. Na ausência da Mãe ou do Pai de Santo, são eles que conduzem a gira, assegurando que o trabalho siga firme e respeitoso.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, temos como Pai Pequeno o João, que carrega uma linda trajetória espiritual. João cresceu entre a Umbanda Tradicional e o Kardecismo, e ao longo dos anos, uniu esses saberes à sua formação como Psicólogo, ampliando ainda mais sua visão sobre espiritualidade e cuidado com o ser humano.

Há mais de 5 anos atua lado a lado com Mãe Luara, contribuindo para a firmeza e organização das giras, além de apoiar o desenvolvimento dos filhos e a realização dos trabalhos espirituais. Atualmente, é cuidado por Mãe Dayanne (Oya Vanju), de quem recebe orientações e aulas para se tornar Juremado, em um processo de aprofundamento e consagração dentro da tradição.

Ser Pai ou Mãe Pequena é caminhar com humildade, aprender a servir, e manter o olhar atento ao todo. É preparar-se para o futuro sem deixar de honrar o presente. E João representa com firmeza, estudo e dedicação essa missão de continuidade e amor ao sagrado.

Na imagem, vemos Pai João em uma gira de direita, com suas guias e com o coração entregue ao axé.



Ogan: A Voz e o Ritmo do Terreiro


Na Umbanda, cada função carrega uma força e um compromisso únicos. Entre elas, a do Ogan se destaca por unir musicalidade, disciplina e responsabilidade espiritual. O Ogan é, tradicionalmente, um médium do gênero masculino que não incorpora, mas cuja presença é indispensável para o bom andamento das giras.

Sua principal missão é conduzir a corimba — os pontos cantados — que movimentam a energia da gira, conectam os médiuns e “chamam” as entidades para trabalharem. É ele quem mantém o ritmo da corrente, fortalece os cânticos e conduz a musicalidade que sustenta o axé.

Além disso, o Ogan também atua como instrutor dos toques de atabaque, ensinando os fundamentos e respeitando a tradição de cada linha espiritual. Mas sua função vai além do tambor: o Ogan também colabora na organização do terreiro, realizando consertos, serviços que exigem força e mantendo a estrutura em ordem — sempre atento às necessidades da casa.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, temos o Guilherme Diniz, nosso Ogan em formação, que carrega com orgulho a herança da religião. Criado dentro da Umbanda, Guilherme vem sendo capacitado e instruído com muito zelo, aprendendo os toques, os cantos e o verdadeiro papel do Ogan com respeito, disciplina e amor ao sagrado.

Ser Ogan é muito mais do que tocar: é sustentar, proteger, energizar e honrar cada guia com o som do coração. E Guilherme vem trilhando esse caminho com firmeza e humildade, tornando-se mais um pilar importante da nossa Tenda.


Padrinho e Madrinha: Na Umbanda, ser padrinho ou madrinha vai muito além de um gesto simbólico. É um compromisso espiritual, afetivo e educativo. Essas figuras têm um papel essencial no desenvolvimento de quem chega à religião, especialmente no início da caminhada mediúnica.

Mais do que acompanhar, padrinho e madrinha são responsáveis por ensinar, orientar e estar presentes nas dúvidas, nos aprendizados e nas vivências do afilhado ou afilhada. Eles são como pontes entre os filhos e os fundamentos da casa, ajudando a trilhar o caminho com fé, responsabilidade e respeito.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, temos a alegria de contar com o Padrinho Caique e a Madrinha Miriam, que acolhem, instruem e acompanham de perto o crescimento de seus afilhados(as). Com carinho e firmeza, eles cumprem essa missão de forma amorosa, sempre alinhados aos princípios da nossa corrente.

Ser padrinho ou madrinha é estar disponível para explicar um ponto, apoiar num ritual, ouvir, cuidar e transmitir o axé da casa. É assumir a missão de plantar boas sementes no coração do afilhado, para que floresça na fé e no conhecimento.


Cambone Chefe: Normalmente, quem ocupa esse papel não é médium de incorporação, justamente para manter os olhos atentos a tudo o que acontece durante as sessões. Com serenidade, responsabilidade e firmeza, o cambone chefe coordena o terreiro enquanto os guias trabalham.

Essa função engloba várias atribuições. Entre elas, destacam-se:

  • Preparar e defumar a casa antes dos trabalhos;

  • Direcionar os cambones para que atendam corretamente os médiuns incorporados;

  • Guiar a assistência até os pontos de atendimento espiritual;

  • Atender aos pedidos das entidades, quando algo precisa ser buscado fora do terreiro ou quando algum trabalho externo é solicitado;

  • Manter a ordem e o equilíbrio energético da gira, sempre com atenção, respeito e discrição.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, quem assume essa missão com dedicação e zelo é o nosso cambone chefe Wal. Com sua postura firme e ao mesmo tempo acolhedora, ele garante que tudo ocorra de forma harmoniosa, alinhado com os fundamentos da casa e com a vontade dos guias.

Ser cambone chefe é estar em constante vigilância e entrega. É servir com humildade, colaborar com todos os setores da gira e manter o axé fluindo com equilíbrio.


Seu Passo a Passo como Filho(a) de Santo

  1. Aprenda a pedir a bênção e reconheça quem está acima na hierarquia.

  2. Estude com humildade, pergunte, participe dos cursos e vivências da casa.

  3. Ofereça-se para ajudar, mesmo nas tarefas simples: limpar, organizar, acolher.

  4. Seja coerente fora do terreiro: leve os ensinamentos da Umbanda para a vida.

  5. Honre seu axé, sua casa e seus guias com atitudes, não só com vestes ou palavras.

Receber o branco é apenas o início. O verdadeiro axé se revela nas atitudes diárias, no respeito às hierarquias e na firmeza com que você trilha o caminho da luz.


Roupas e Fios de Conta: Vestindo o Axé com Respeito e Identidade

Após conhecer as hierarquias e compreender a estrutura da casa, chega o momento de se preparar para vestir o branco e assumir o compromisso com a corrente mediúnica. A roupa do médium não é apenas uma vestimenta: ela representa respeito, identidade, organização e zelo com o sagrado.

Na Tenda de Umbanda Arco-Íris, há orientações importantes para a escolha das roupas e fios de conta, de acordo com os fundamentos da casa e a influência da Umbanda Omoloko.


Identidade da Tenda e Uniformização


Quando um médium está em gira, ele representa sua casa. Por isso, é importante que a corrente seja visualmente reconhecível, tanto para os consulentes quanto para visitantes de outros barracões. A orientação é que as roupas sejam padronizadas, discretas e confortáveis.

🔹 Se for cambonear ou participar de trabalhos de direita, dê preferência ao uso da camiseta da Tenda e roupas brancas.

🔹 As roupas devem permitir liberdade de movimento, sem expor o corpo ou causar constrangimento.

Evite:

  • Decotes profundos, alcinhas ou regatas

  • Calças muito apertadas ou peças transparentes

  • Roupas do dia a dia no terreiro (isso pode carregar ou trazer energias indesejadas)

  • Peças que revelem partes íntimas ao se movimentar

Lembre-se: a roupa é parte do respeito com o sagrado, com os guias e com os irmãos de fé.


Direita: Branco, Pano e Axé


Nos trabalhos de direita e para todas as funções de cambone, a vestimenta padrão é branca.

Devido à influência do Candomblé e da Umbanda Omoloko, em algumas ritualísticas da Tenda:

🔹 Mulheres devem estar preferencialmente de saia, com pano de costa e pano de cabeça.

🔹 Homens devem manter a sobriedade e limpeza visual, com roupas brancas confortáveis.

🔹 Os fios de conta devem ser os corretos conforme a sua identificação espiritual, usados com respeito e nunca misturados com uso cotidiano.




Esquerda: Exu, Pombogira e Liberdade com Responsabilidade


Nos trabalhos de esquerda, quando não for cambonear, os filhos devem vestir a roupa de sua entidade (Exu ou Pombogira). Aqui, Mãe Luara valoriza a expressão individual, mas orienta com muito carinho:

🔸 Evite roupas totalmente pretas

🔸 Evite roupas curtas demais, alcinhas, barriga de fora

🔸 Não use roupas brancas para entidades de esquerda, com exceção dos malandros, que podem usar branco com detalhes.

Caso surja qualquer dúvida sobre a roupa da entidade, sempre procure orientação. É melhor ajustar do que errar por impulso.


Fios de Conta: Proteção e Identidade Espiritual

Os fios de conta não são adereços ou itens decorativos. Eles são instrumentos de proteção e conexão com os Orixás e guias, consagrados em ritual próprio. Devem ser usados apenas nos momentos sagrados, jamais como ornamento em festas ou no cotidiano.

Use seus fios com consciência, respeito e fé. Eles são parte do seu compromisso espiritual com a corrente da casa e com sua missão mediúnica.

Vista-se de branco, mas também de humildade. Use os fios, mas também a responsabilidade. Honre sua entidade, mas também sua casa. O axé começa na forma como você se apresenta ao sagrado.

Quanto aos fios de conta


Vamos elucidar em um capítulo futuro sobre as cores e modelos. Mas de forma geral, todo filho que se inicia na Tenda deve providenciar o fio de conta de Oxalá, Fio de conta de Oxumarê (Patrono da Tenda e Orixá de Cabeça da Mãe luara) , Fio de conta de Iansã (Padroeira da Tenda e Mãe de Cabeça da Mãe Luara), Guia Mestre, e os fios das 7 linhas. Lembrando que, todos eles são Fios de conta com uma linha só e com miçangas simples, sendo os fios de 3 ou mais linhas destinados às hierarquias. Com exceção para a guia mestre, que é feita com miçangas maiores!



Composta por miçangas grandes, que representam as cores do seu Pai e Mãe de cabeça, tendo um crucifixo na ponta. Na foto exemplo, temos a saudosa Mãe Pequena Flávia que está com sua guia mestra: com o preto de Omolu e Transparente e azul de Iemanjá, além do crucifixo característico.

Como saber seu pai e mãe de cabeça? Nos búzios de orixá!

Quartinha e iniciação


Ao entrar para casa você se responsabiliza em levar sua quartinha (de acordo com seu orixá de cabeça) e participar das ritualísticas iniciativas.





Búzios de orixá e Deitada


Você deve jogar os búzios com a Mãe Luara, no caso de búzios de orixá e para filhos saberem pai e mãe de cabeça não é cobrado, necessita somente agendar esse búzios e diante do que sair nos búzios agendar a sua Deitada.


Deitada é a iniciação da Tenda de Umbanda Arco-íris, onde são feitas as comidas dos seus santos, você inicia um preceito e faz a ritualística de deitar para o Orixá. Cerimônia onde você se apresenta para o orixá, reforçando a ligação entre o médium e o orixá, o que facilitará o seu trabalho com os guias, no seu desenvolvimento mediúnico e pessoal.




Retiro espiritual na Semana Santa

Passamos o feriado da semana santa em comunhão e retiro espiritual, é o momento onde é feito o seu Batismo na Umbanda, um dos pontos mais importantes da sua caminhada. Os caboclos que realizam o batismo nas águas correntes ou em bacia de ágata de acordo com a disponibilidade.


Banho de Amaci no final do ano


Onde acontece o encerramento do ano e é realizada a Deitada de todos os filhos e Banho de Amaci. Para que seu ano se inicie bem e seja finalizado de forma positiva.


Agrado para Exu e Pombogira


Ao fazer 1 ano de casa, no dia de Exu (12 de junho) ou quando solicitado pelas hierarquias/sua entidade, fazemos imolação para seu Exu ou Pombogira.


Imolação: Sacrifício (do Latim: Sacrificium; literalmente: “ofício sagrado”), também conhecido como oferenda ou oferta, é a prática de oferecer aos deuses, na qualidade de alimento, a vida de animais.



Calendário Anual


Todo ano em uma reunião na primeira quinzena de janeiro, é passado um calendário prévio para organização dos filhos com base nessas ritualísticas principais e em outras que não são menos importantes.


Se organize para participar de todas as ritualísticas, cumprir com suas Cotas e Mensalidades. Além dessas ritualísticas que são as mais importantes e essenciais, também temos um calendário com datas comemorativas e ritualísticas opcionais, que colocaremos em outro post.


1 comentário


Membro desconhecido
02 de mai. de 2023

Axé 🤲🏻

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